Sunday, October 19, 2008

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Où fait-il bon même au cœur de l'orage
Où fait-il clair même au cœur de la nuit
L'air est alcool et le malheur courage
Carreaux cassés l'espoir encore y luit
Et les chansons montent des murs détruits
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Aragon
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Paris oitocentista. Uma paz e harmonia quase teatrais. A literatura e a música em prazo de festim, porque a festa se faz nas salas de espectáculo, nas ruas, em casa. Engenho de belle-époque, anos dourados que a Grande Guerra viria fraccionar.
O automóvel, o aeroplano, o telefone, o gramofone e o cinematógrafo eclodiam prontos a levarem o homem mais longe e, simultaneamente, no registo do efémero, inscrevendo as artes de palco no porvir.
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Apaixonado pela cidade quotidiana, pelas ruas e pelas pessoas, entre o academismo e o Impressionismo, Béraud regista o passante ocasional, prende a atmosfera e a festividade, em telas que são crónicas de Paris.
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Jean Béraud (1849-1935)
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Rien n'égale Paris;
on le blâme, on le louë;
L'un y suit son plaisir, l'autre son interest;
Mal ou bien, tout s'y fait, vaste grand comme il est
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On y vole, on y tuë, on y pend, on y rouë.
On s'y montre, on s'y cache, on y plaide, on y jouë;
On y rit, on y pleure, on y meurt, on y naist:
Dans sa diversité tout amuse, tout plaist,
Jusques à son tumulte et jusques à sa bouë.
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Isaac de Benserade
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myspace layout

17 comments:

SMA said...

E um saltinho a paris...
essa divisão London and (et) Paris
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bjo Mestre
:-)))

Ana Cristina Casqueiro Haderer said...

Pois, Teresa este também e ainda teria mais superlativos mas como vejo que você é também da raça dos humildes e sinceramente amantes da(s) arte(s) que nos envolvem.

O seu olhar é muito bonite e cobre as áreas imensas da pintura, literatura, música. É preciso génio para entrelaçar tudo isto com harmonia. Palavrinha de honra.

Rodrigo Rodrigues ("Perdido") said...

Parabéns. Parabéns é tudo o que me ocorre dizer perante a descoberta deste maravilhoso sítio de charme e de bom gosto.

Parece que, também, de bom senso.

observatory said...

eu tambem nasci no ido 19

um festim

para a memoria

elisabete cunha said...

sempre uma aula.........minha querida!

elisabete cunha said...

sempre uma aula.........minha querida!

observatory said...

exma srª

no correio da manha enviaremos

amostras das nossas novidades em tweeds...

sem outro assunto

de vª exª





ps: para quando joseph beuys?

Rui Luis Lima said...

Cara Teresa Maremar!
A Paula já me tinha falado nesta imagem a abrir o "Nas Tintas para as Regras". Este é um dos locais onde vamos sempre, para comprar livros na livraria "Mona Liset" e tenho que confessar que ambos adorávamos ter vivido nesta época brilhante.
Olho as restantes imagens e de imediato me vem à memória essa época fascinante, tão bem retratada no "Em Busca do Tempo Perdido", por esse génio chamado Marcel Proust.
PS- A fotografia dos Arcos será publicada no sábado:)
Beijinhos
Rui Luis Lima

teresamaremar said...

Ahhh peço desculpa por não ter vos ter vindo respondendo pontualmente, porém, falta-me o momento, sobra-me o movimento. Por vezes, tão em desperdício, de labiríntico que é.

Um abraço e grata, sempre




*joseph beuys... ok, lá iremos
:)

Zénite said...

Extraordinário, sábio e fiel, como sempre, o enquadramento das tintas e do verbo.

Trago, em jeito de homenagem ao grande poeta e resistente nazi Louis Aragon, alguns versos do seu poema "Plainte pour le grand descort de France", escrito em 1942, enquanto lutava pela libertação da sua amada Paris e de toda a França (tradução e adaptação de António Herculano de Carvalho).

Se houvesse uma canção de violas veladas
Se houvesse um coração que o tempo não quis
Pra dizer da discórdia e do amor do país
Se houvesse ainda agora uma noite estrelada
Se houvesse ainda agora

A noite-maravilha as sombras enamora
Como o cego dedilha as cordas sem vê-las
Sem ver o tão sereno céu pelas janelas
Ah se quiseres cantemos tristes muito embora
Ah se quiseres cantemos
(…)



Abraço.

teresamaremar said...

Então eu deixo este...



Numa esquina de Paris

Dezenas e dezenas de pessoas passam ininterruptamente ao longo do passeio.
Umas para lá.
Outras para cá.
Umas para cá.
Outras para lá.
Mas cada uma que passa
tem de fazer na esquina um pequeno rodeio
para não se esbarrar com o par que aí se abraça.
Olhos cerrados, lábios juntos e ardentes,
tentam matar a inesgotável sede.
Através dos seus corpos transparentes
lê-se na esquina da parede:

DANS CETTE PLACE A ÉTÉ TUÉ
MAURICE DUPRÉ
HÉROS DE LA RESISTANCE.
VIVE LA FRANCE.

António Gedeão, in Linhas de Força

Zénite said...

Bonito!

Quanto ao meu comentário, onde se lê:

"homenagem ao grande poeta e resistente nazi Louis Aragon..."

deve ler-se:

"homenagem ao grande poeta e resistente aos ocupantes nazis, Louis Aragon..."


As minhas desculpas pelo erro.

pront'habitar said...

o belo mora por aqui.
e quando vejo beleza perco a palavra...

pront'habitar said...

"Nas tintas para as regras": excelente título.

Anonymous said...

Vim agradecer sua visita pois foi me deu a oportunidade de conhecer um blog tão espetacular quanto ao seu!
Volte sempre!
http://sex-appeal.zip.net
http://cara-nova.zip.net

Marcos Santos said...

Olá Teresa

Bonito o seu blog. Sobre o seu recado lá no meu blog, acredito que a moça (Elisabete Cunha) escafedeu-se, visto que o link já não funciona mais. Mas acho que você fez certo em gritar, pois o mínimo que podemos fazer é respeitar a autoria dos trabalhos dos outros.

Um abraço e apareça nos meus blogs
Boca Diurna
Photo Diurna

Cadinho RoCo said...

Belíssima publicação.
Aproveito momento para registrar que já liberei seu comentário denúncia no Meu Nosso Blog. No entanto sugiro que busque novo contato com a pessoa referida porque o ocorrido pode entrar numa esfera de bom entendimento, porque penso ser ela pessoa incapaz de ato desta ordem. Posso estar enganado, ainda assim suponho ser o caso merecedor deste tratamento. No entanto, instalei na íntegra o seu relato, em respeito ao seu sentimento de indignação.
Cadinho RoCo