Sunday, May 6, 2007

(IN)Descrição das Cores

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Como se descreve uma cor? Alguma vez tentámos descrever uma cor? Comparamo-la, atribuímos-lhe um significado, uma sensação, mas conseguimos descrevê-la?
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Se muitas cores existem, na pintura mais ainda, pelas misturas conseguidas através de mesclas subtis. Assim, existem o azul Van Eyck, o verde Veronese, conseguidas pelos pintores em causa.
Primeira abordagem, como se classificam as cores?
Dividimo-las em duas categorías, primárias e secundárias, quente e frias.
São três as cores primárias, vermelho, azul e amarelo. Cores puras que se conseguem sem qualquer mistura. Mas para obter o verde, o laranja ou o violeta (cores secundárias) é necessário misturar as cores primárias.
As cores frias são o azul e o verde, as quentes, o vermelho e o amarelo.
. Henri Matisse (1869-1954), Le Bonheur de Vivre, 1905-06
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Experimentemos…
Misturem-se duas cores primárias, acrescente-se o preto, a mistura perde intensidade. Tente-se, ao invés, misturar o branco a essas mesmas cores primárias, a cor aviva-se. Assim se conseguem criar cores brilhantes e outras mais ternas.
Outro exemplo, experimente-se colocar um verde junto a um vermelho, este último torna-se mais vivo. Por sua vez, o amarelo junto ao vermelho faz este perder intensidade.
. Andre Derain (1880-1954), L'Estaque, 1906
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Um último exemplo, observe-se durante uns minutos uma folha ou painel vermelho, fechem-se em seguida os olhos. A cor que vemos é o verde, sua cor complementar. Este é o processo do negativo da fotografia.
Harmonizar as cores entre elas obedece a princípios, mas quando se trata de pintura é muito mais importante a sensibilidade.
No que toca à estabilidade de conservação das suas qualidades, as cores são desiguais. O meio, a luz do Sol e a humidade influênciam-nas, e a instabilidade pode, ainda, dever-se à decomposição ou alteração química dos seus componentes.
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As pinturas acima são do período fauvista, os fauvistas foram os grandes mestres da cor.
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3 comments:

rigoletto said...

Não sabia que o eram (agora já sei), mas gosto então dos fauvistas, as cores "quentes" sempre me atrairam.
Gauguin?

Muito interessante esta explicação. Lembrei-me do Dr. Leopoldo Batalha, meu velho professor de Desenho no Liceu, a falar disto a uma turma de meninos com 10 anos.

Anonymous said...

Teresa
Parabéns por esse espaço maravilhoso, com certeza virei sempre aqui......
beijos mil
Elisabete Cunha

teresamaremar said...

:) tadinho do professor, supostamente entusiasmado, e tadinhos dos meninos, que deveriam esperar ansiosos pelo intervalo para jogarem à bola :)

Gauguin... isso! :)

Os impressionistas Monet, Renoir, Pissarro já trabalhavam luz e cor. Insatisfeitos com as limitações do Impressionismo, Gauguin, juntamente com Cezanne e Van Gogh (o grupo sonante do Pós-Impressionismo) fazem a revolução na cor, recorrendo a cores vivas, e enfatizam as formas através da geometria.

Os Fauvistas, tal como os Impressionistas, pintavam directamente da natureza, mas os seus quadros eram dotados de uma reacção mais forte.
Com as suas cores brilhantes e agressivas e vigoroso trabalho de pincel pretendiam criar a explosão na tela, a que acrescentavam a simplificação da forma.
Podemos dizer que Matisse, o seu líder, chegou a este estilo depois dos mestres pós-impressionistas, embora estes sejam movimentos quase paralelos.

(Pós-Impressionismo 1880-1906
Fauvismo 1889-1908
se é que é possível fazer uma datação exacta)

O núcleo do grupo fauvista é constituído por Matisse, André Derain e Maurice de Vlaminck.

Os pós-impressionistas, assim como os fauvistas e os expressionistas foram movimentos de inconformismo ao Impressionismo. Sendo que a emoção turbulenta do Fauvismo viria a ser seguida da lógica do Cubismo.