Tuesday, May 22, 2007

Recriar o Passado

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Desde sempre a pintura ocidental retomou temas de pintores anteriores, a recriação dando nova vida a antigas criações. Vejamos esta pintura de Botero onde ele recupera o quadro de Van Eyck.
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1978, Arnolfini
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Várias foram as influências que Botero assimilou. Se acima o motivo foi dado por Van Eyck, os renascentistas e barrocos italianos sempre o seduziram
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Mategna. Camera degli Spozi, Palazzo Ducale, Mantua, 1471
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1961, Homenagem a Mantegna
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A Mona Lisa também se revelou irresistível

Leonardo da Vinci. Mona Lisa, 1503-06
. 1977, Mona Lisa
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Rubens tê-lo-á impressionado com as suas cenas mitológicas, imaculadas Virgens e composições históricas, mas, essencialmente, levou-lhe as suas proporções, havendo pintado várias versões de Mrs. Rubens.
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Peter Paul Rubens. Susanna Fourment, 1622-25
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1968, Mrs Rubens
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Ingres foi outro dos pintores a nele influirem
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Ingres, Mademoiselle Rivière, 1805
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1979, Mademoiselle Rivière
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E reminiscências de Monet (Le Déjeuner sur l’herbe) ocorrem frequentemente nos seus picnics
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Manet. Le Déjeuner sur l'herbe, 1863
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2001, Picnic
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Velásquez foi, porém, o seu maior motivo de inspiração. Quando Botero se encontrava em Madrid, estudando na Real Academia de San Fernando, 1952, o Museu do Prado era o seu lugar de deleite, aí respirava entre Velásquez e Goya, tomando, pela primeira vez, contacto com Velásquez e do seu quadro As Meninas, tê-lo-á atraído a Infanta.
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Velásquez. Auto-retrato, 1656 (de As Meninas)
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1985, Auto-retrato de Velasquez
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Questionado sobre esta recriação, por alguns acusado de ser uma espécie de plagiador, Botero responde que não é plágio mas paródia.
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8 comments:

Rui Luís Lima said...

olhar a pintura com um sorriso nos lábios:)
paula e rui lima

Bandida said...

requintadamente belo!


beijo


B.
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teresamaremar said...

Paula, Rui, Bandida

um obrigada com um sorriso :)

rigoletto said...

Acho graça à paródia...reconheço que Botero tem piada...mas francamente, penso que o génio requer algo mais que inspiração, por muito importante que esta seja.

Nada do que fica escrito tem a ver com a qualidade deste post.

teresamaremar said...

Botero tem as cores, o volume que será inesquecível, a lembrar a Praça so Comércio e as suas esculturas faz uns anos...
O génio requer a inspiração e a transpiração :)

isabel mendes ferreira said...

i r r e s i s t i v e l.



ponto.



beijo.

ponto.

Elisabete Cunha said...

Teresa

VC escolhe sabiamente como encantar-me!
Abraços amiga!

peregrino said...

Há, pelo menos, duas formas de abordar o plagiato. Eis uma delas, que muito aprecio (na Pintura, por exemplo; já na Literatura a coisa pia mais fino): :)

"A acusação de plágio é indigna. O homem de génio tem o direito de se apropriar das imagens e das ideias alheias e lhes dar colorido, harmonia, sedução, vida, que as farão imortais" (Afrânio Peixoto, "Maias e Estevas")

Não creio que Botero, que agradeço me tenhas dado a conhecer neste teu oásis, seja plagiário. E como gosto das suas cores "roliças"! :)

Abraço.