Friday, May 4, 2007

Nota de Abertura

"Pintura é cosa mentale"
... ance sai cosi manuale
(ma prima è cosa mentale!)

Leonardo da Vinci

Don Tywoniw, Clouded Mind, 1990


A arte diz do comportamento humano e os objectos de arte são o rasto e rosto do homem. Desde a Pré-história que existem representações com uma simbologia específica, sendo que há uma dinâmica criativa no legado deixado pelo Homem ao longo dos tempos. A Arte representa o comportamento humano, existe enquanto movimento.
A sensação primeira, ao observarmos uma obra de arte, é considerá-la bonita ou feia.
Questão primordial: porque agrada uma obra de arte a um observador e desagrada, ou é indiferente, a outro? Porque experimentamos sensações diferentes? A resposta está na nossa personalidade.
Existe uma psicologia da Arte.
Para cada personalidade, as suas preferências. Uns avaliam a obra de arte a nível sentimental, outros fazem uma avaliação intelectual.
Jung, discípulo de Freud, divide as personalidades em extrovertidas e introvertidas. O primeiro, dirigindo as suas energias “para fora”, fixa-se em referências externas, o segundo, virado para a sua vida interior, dirige as suas energias “para dentro”.
Assim, uns preferem manifestações dramáticas e cenas românticas, outros as obras impressionistas que lhes proporcionam um recolhimento, outros ainda querem a obra de arte funcional, ao serviço da utilidade, gostando de quadros realistas, e outros, por fim, apreciam a composição ou configuração, dando primazia ao traço mais do que às cores e observam um quadro distanciando-se intelectualmente.
Que é a arte? O olhar em mudança, em experimentação. Criatividade do artista que produz a sua obra, obra que observada sob um olhar critico continua a gerar criatividade.
A minha proposta é que, neste espaço, se experimente a transformação do olhar.

2 comments:

rigoletto said...

Não posso concordar mais com a Introdução a este novo espaço.
A interpretação que cada pessoa faz de um quadro multiplica essa obra muito para além do propósito do autor.
Recordo uma tela gigantesca de Mirò, rectangular, uma diagonal a preto, o triângulo superior a amarelo e o inferior a vermelho.
A mim, o quadro nada diz. Mas alguns dos visitantes do museu, parados, extasiados(?), observavam o quadro com pequenos passos para a direita e esquerda, talvez no intuito de uma perspectiva diferente...
A Arte.
Eternamente presente.

teresamaremar said...

:) muitas vezes é isso... as interpretações irem para além do que o pintor imaginou, surpreendendo-o até.
:) a tela do Miró... tou a ver... [e a ouvir o aparte contido]
A ideia... não esquecer a dádiva da ideia :)

[Não falta alí um "!" depois de "extasiados (?!)" ?]
hehe